Manifesto pelo direito ao voto nulo.

Algumas pessoas me perguntam se vou votar em Dilma, baseadas no que conhecem acerca de meus posicionamentos. A resposta de que anularei meu voto costuma chocar, como se o voto nulo fosse voto em Aécio. Não é. Pedem um voto pragmático, como se o meu não o fosse conscientemente baseado em fatos e em fins. O fato é que votei em Dilma em 2010 e esse voto só me trouxe desgostos. O fato é que não pretendo legitimar a eleição de nenhum dos dois candidatos. Entendo perfeitamente o voto em Dilma e tenho consciência de que o adversário e seu partido seriam piores para o Brasil do que um segundo governo Dilma (principalmente no que diz respeito ao projeto de educação universitária que o PSDB mostrou ter no governo FHC e no notável, porém insuficiente, papel que o governo Lula teve na ascensão social de milhões de brasileiros). Apesar disso, não conseguiria suportar mais uma vez o sentimento de que minha mão também está pesando no cassetete da polícia, que também sou culpado pela repressão dos sonhos e pelo projeto de país que dizima os povos indígenas, acaba com clima e com o meio ambiente (sem o qual não existe horizonte de um mundo mais justo, não importa o quanto lutemos).

Nunca foi e continua não sendo opção o voto no PSDB, que representaria a aceleração do modelo neoliberal sem nenhum escrúpulo e a subserviência aos Estados Unidos na política externa. Mas não me sentirei culpado com uma eventual eleição de Aécio Neves. Não acredito que representará o fim das políticas sociais do Lulismo, já que embora tenha colocado os excluídos na conta do orçamento, não paralisou e muito menos diminuiu a cota dos mais ricos nessa mesma conta. O fato de o tucanato estar interessado em fazer política para os mais poderosos não o torna burro e muito menos fará com que não sejam demagógicos e continuem com as políticas sociais. De qualquer forma, se haverá culpados caso o PT perca essa eleição, serão eles próprios. Possibilitou a entrada de pessoas na classe média, mas manteve uma política de comunicação não preocupada em cobrar a Globo pela sonegação de impostos e esqueceu que uma revista criminosa como a Veja continua em todos os consultórios que essa nova classe média pôde passar a frequentar. Incluiu, mas esqueceu que estava incluindo em um meio totalmente conservador e que se não houvesse alguma política para mudar essa situação logo essa mesma classe média poderia se voltar contra o “petismo corrupto amigo de Cuba”. O culpado de uma possível derrota será o PT por ter jogado pesado contra Marina no primeiro turno, possibilitando que o candidato tucano corresse livre rumo a um segundo turno obviamente menos à esquerda do que seria com Marina (que a política econômica de Marina seja tão neoliberal quanto a de Aécio, não tenho dúvidas, mas que um segundo turno com ela arrastaria o debate para esquerda, ao menos em assuntos como meio ambiente e política energética, é inegável). Isso sem contar o fato de o governo Dilma ter sido o que menos fez reforma agrária ou demarcou terras indígenas e unidades de conservação em muitos anos (menos inclusive do que o governo de FHC). Isso desconsiderando o fato de que o programa “Minha Casa, Minha Vida” melhora mais a vida das empreiteiras do que do MTST (que não apoiou Dilma no primeiro turno). Isso sem levar em conta que Dilma não faz propaganda de opção sexual, revogou portaria que regulamentava o aborto (nos casos já legais!!!) por pressão do fundamentalismo. Isso sem levar em conta o peemedebismo e as alianças preferenciais do PT nos últimos anos que não me garantem de forma nenhuma que a agenda progressista irá avançar. Fala-se em governabilidade para justificar os recuos, mas ao invés de se concentrar em aumentar a bancada progressista, Dilma fez campanha para Kátia Abreu e a colocou junto de Renan Filho no seu primeiro programa no segundo turno.

O projeto de país de Dilma não me representa. Não quero o país do agronegócio (é mentira que nos alimentam, quem o faz é a agricultura familiar), não quero o país do “mais engenheiros, menos sociologia e filosofia”, não quero o país das barragens, do estímulo ao transporte individual, do pré-sal. Não pretendo votar junto com quem acha que o principal problema do país é a falta de crescimento; Se todos consumissem como os estadunidenses necessitaríamos de quatro planetas Terra (eles são SUPERdesenvolvidos [Viveiros de Castro], mais do que deveriam, e não nós subdesenvolvidos) , o horizonte portanto deve ser o de barrar o crescimento, levar em conta que há um limite para a utilização dos recursos naturais. Acompanho meu amigo Alexandre Araújo na ideia de que mais importante que o 2º turno são os 2ºc que vamos aumentar na média climática se não lutarmos contra a política energética e ambiental dos candidatos que estão aí. Menos barragens e mais painéis fotovoltaicos nos tetos das casas. Lugar de fóssil é debaixo da terra, não sendo queimado na atmosfera. Não só desmatamento zero, mas também reflorestamento (ou ficaremos sem água para sempre). Pelo fim do etnocídio perpetrado contra os povos indígenas. Por uma perspectiva ecossocialista de projeto de país e de planeta, voto em Ninguém.

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Legado de Eva

(texto para aula de redação. Tema: O papel da mulher na sociedade moderna)

“[…]e teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará”. Além das dores do parto, Deus puniu todas as mulheres com a submissão aos homens, pois Eva comeu do “fruto proibido”. Adão também foi punido por ter “dado ouvidos a sua mulher”. O patriarcado talvez não tenha sido invenção de nenhuma religião, mas com certeza foi alimentado por a maioria delas. E não é só Alá que manda apedrejar as mulheres adúlteras… No Egito antigo, o papel das mulheres em relação aos homens era menos discrepante, mas na Grécia antiga, principalmente em Atenas, a mulher não tinha espaço algum. Aristóteles, hoje endeusado, justificava a inferioridade da mulher pela não plenitude da mesma na parte racional da alma. Em Esparta, a coisa era um pouco melhor, a ponto de Aristóteles criticar as espartanas por serem luxuriosas e “mandarem em seus maridos”. Na Idade Média e Moderna, a situação só piorou. A igreja resgatava o pecado original para dizer que a mulher era ruim por natureza e por isso deveria ser submissa ao homem (pai ou marido). Somente do século XIX para o XX é que os movimentos feministas começaram a conquistar alguns direitos.

No Brasil, a história não é muito diferente. A colonização portuguesa trouxe consigo vários valores morais europeus e entre os legados dessa colonização está o patriarcado. Maria Quitéria precisou vestir-se de homem para pegar em armas pela independência do Brasil. Maria Augusta Estrella e Águeda Oliveira, fundadora do jornal “A Mulher” nos EUA, moravam lá por não poderem cursar medicina no Brasil. Entre outras, Chiquinha Gonzaga, Anita Malfatti, Bertha Lutz, Leolinda Daltro, Maria Lenk, Durocher, Carlota de Queiroz, estão entre os poucos nomes femininos que ficaram para a história em nosso país.

Em pleno século XXI, as mulheres ainda não se livraram completamente dos males de uma sociedade machista, embora tenham tido várias conquistas importantes, como o direito ao voto (de 1932). Atualmente, não é mais estranho que as mulheres trabalhem (45,3% do mercado de trabalho, em 2010, era composto por mulheres) fora de casa, embora ganhem menos (ainda que na mesma função) que os homens, e hoje algumas podem se orgulhar (e orgulhar toda a sociedade) por terem chegado a cargos de liderança (Quem sabe bem disso é Dilma Rousseff, atual presidenta de nosso país). Hoje, elas já podem até mesmo ser doutoras, quando no passado não passavam da 4ª série e eram criadas para obedecerem seus maridos e cuidar da casa e dos filhos. Hoje a mulher não é mais mera procriadora. Nosso atual código civil prevê igualdade de direitos e deveres para ambos os gêneros e as conquistas não param por aí.

Tudo isso não muda o fato de que mulheres são estupradas e violentadas a todo momento (na Região Metropolitana de Campinas, uma a cada treze horas) e que a sua sexualidade é ainda repleta de tabus e preconceitos. A mulher ainda não goza de liberdade sexual, direito sobre o próprio corpo (em relação ao aborto, por exemplo). O machismo é tamanho, que mulheres vítimas de estupro chegam a ser culpabilizadas por “provocarem” se vestindo “ousadamente”, e humoristas famosos, de programas “jornalísticos” de humor, ditos sérios, contam “piadas” dizendo que mulher feia tem sorte de ser estuprada, pois de outra forma não fariam sexo. Nos resta muito na luta contra o machismo…

Simone de Beauvoir dizia que enquanto homens e mulheres não se vissem como semelhantes, os seres humanos seriam privados do que há de melhor que é a liberdade. Isso não acontecerá enquanto uma mulher com quatro rapazes for considerada “vadia” e um homem com quatro mulheres “garanhão”.

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Analfabetismo Funcional da Grande Imprensa

(“Carta ao editor da Isto É” escrita na aula de redação semestre passado)

Caro Carlos José Marques,

Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar os ótimos jornalistas da Isto É, Amauri Segalla e Bruna Cavalcanti, pela matéria sobre o “polêmico” livro “Por uma Vida Melhor”. Onde foi que eles cursaram jornalismo? Pergunto para evitar que eu ou um amigo escolhamos a mesma Instituição. Tenho 16 anos e curso o 3º ano do Ensino Médio. Modéstia à parte, faria um trabalho jornalístico infinitamente melhor. Parabéns. Cumpriram seu trabalho de informar tão porcamente quanto a concorrente Veja.

Um erro comum entre os críticos do livro didático é confundir língua e gramática normativa, sendo esta uma ínfima parte do que estuda aquela. A imprensa em geral buscou para tratar do assunto todo tipo de profissional, menos linguistas. E o pior: a maior parte dos que comentaram o livro não o leu (ou leu mal). Muitos trataram a língua como algo que foi congelado e que só possui uma forma e não como algo mutável que é. Como disse Possenti, “cada área tem seus bolsonaros”. Em matéria de língua, muita gente é conservadora (de direita ou esquerda). Se não formos atrás do livro e acreditarmos na mídia fica parecendo que ele se ocupa em suas 150 páginas a “ensinar errado”, quando em menos de três ele constata um fato (fato há muito tempo estudado): As várias variantes do nosso português, da popular a culta (que não é nada mais do que a variante de prestígio, normatizada. O livro tenta simplesmente trocar noções de certo e errado (que não existem na língua) por de adequado e inadequado para cada situação. Nenhuma novidade para linguística…

Esquecem os “defensores da norma culta” (e esses desviam-se da norma no próprio discurso em que a defendem), e nisso incluo o senhor e seu grupo de jornalistas, assim como os de outros jornais, revistas e emissoras, que há não tanto tempo a forma “você” não existia, era “vossa mercê”. Perdemos alguma coisa com essa redução? Não, mas aposto que alguns babacas da época devem ter ficado histéricos, pois estavam diante de “O Assassinato da Língua Portuguesa” (oooh!). Como é que passou um título tosco e sensacionalista desses para matéria de capa? Está no mesmo nível de construções como “Pedagogia da Ignorância”, “Desserviço à Educação” e “efeitos nefastos na educação dos estudantes”. Que Augusto Nunes e Reinaldo Azevedo forcem a barra para criticar o governo e Haddad (o que ficou claro, no final da matéria, ser também o objetivo de vocês) eu até entendo… Mas que toda a imprensa faça isso… (e agora generalizo injustamente). É difícil ler gente falando sobre o que não sabe.

E o verbo namorar? Está aí outro exemplo de como a língua muda. Ele era apenas verbo transitivo direto, porém o uso popular (ele e não a imposição de uma academia conservadora qualquer que resiste a mudanças) possibilitou o que hoje está presente em muitas gramáticas: “namorar com”. Perdemos alguma coisa? Só ganhamos. Agora podemos namorar um livro que gostaríamos de comprar e namorar com a pessoa amada (Que piegas!). E isso tudo só me faz lembrar do verbo “assistir”, em cuja transitividade indireta muitos gramáticos e professores de português ainda insistem. Ninguém mais usa isso na fala e poucos usam na escrita. O verbo “assistir” no sentido de “ver” é transitivo indireto porque temos também “assistir” no sentido de “prestar assistência a”. Mas hoje, ninguém assiste ninguém; ajudamos. O que muitos esquecem ou não sabe e o livro da Heloísa Ramos, do Cláudio Bazzoni e da Mirella Cleto faz questão de lembrar é que “escrever é diferente de falar”. Tudo bem se quiserem escrever “assisti ao filme”, mas impôr isso na fala é maluquice. E outra: Por que é que os grandes jornais publicam que “o jogo foi assistido por milhares de são paulinos e palmeirenses” se defendem fervorosamente a norma padrão? Que eu saiba verbos transitivos não vão para passiva.

Quero dizer também, senhor, que a variante popular também tem regras e gramática, ao contrário do que pensam, e ela tem toda uma lógica e regularidade. Mesmo na variante popular, por exemplo, ninguém vai dizer “o livros” porque isso não existe em qualquer variante do coloquialismo. A função da linguagem deveria ser comunicar e não excluir, então ela deveria ser “errada” se não conseguisse se fazer entendida, se não houver comunicação. Nesse sentido, acho que causa menos dificuldade de interpretação “nóis vai perscá cos primo amanhã” do que uma sentença possibilitada pela norma padrão como “a tia da garota terminou de ler seu livro”. O livro de quem? Da garota ou da tia?

O pior de tudo é o desconhecimento e desinformação (para que serve a imprensa se ela desinforma?) que fazem com que alguns comentários contenham “nossas crianças vão aprender errado o português”. Nenhum jornalista se deu ao trabalho de fazer uma pequena pesquisa antes de falar besteira? Se o fizessem saberiam que o livro foi feito para a EJA (Educação de Jovens e Adultos), que pela primeira vez vai receber o material do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático)

Essa balela de que estão assassinando a língua portuguesa não vem de hoje e tem relação com o que o linguista estadunidense William Labov chamou de “mito da Idade de Ouro”; Labov diz que as pessoas tendem a acreditar que a língua atingiu sua perfeição no passado e que desde então passou a deteriorar-se; assim, a língua está a cada dia e a cada inovação mais ameaçada.

Alexandre Garcia disse no Globo News que quem fala “os livro mais interessante estão emprestado” não consegue desenvolver raciocínio lógico. Ora, o inglês quase não possui concordância nominal e verbal e nem por isso deixa de ser usado na maioria dos trabalhos científicos atualmente. Há muito tempo já não se pronuncia o “s” do plural na língua francesa; isso torna a língua pior ou alvo de críticas pelos seus jornalistas? Ahh… O complexo de vira-lata… Só em Portugal se fala corretamente o bom e velho português…

Sobre a matéria… Pagaram pau para Nélida Piñon para em seguida apresentarem seu argumento para darem mais autoridade a ele. E o “argumentum ad hominen” usado para desqualificar Heloísa “Campos”? Eu posso utilizar a mesma falácia para desqualificar a matéria dizendo “Autores desconhecidos, sem grandes feitos na área do jornalismo, Amauri e Bruna, revelaram serem péssimos no trabalho que fazem. E os argumentos do Marcos Vilaça? Comparou ensino da língua com o ensino da tabuada? Que gênio!

Aliás, muitas pessoas nesse debate deram demasiado crédito ao posicionamento da ABL, conservadoríssima e composta por 40 pessoas , entre as quais estão Paulo Coelho, Marco Maciel e José Sarney*. E ignoram os posicionamentos da ALAB (Associação de Linguística Aplicada do Brasil) e da ABRALIN (Associação Brasileira de Linguística) a favor do livro. Considere que eles são em número muito maior de pessoas e mais especializadas.

Senhor Marques, pergunte a seus jornalistas quem são “a maioria esmagadora” que condenou o livro. Quanto eles sabem sobre a língua e sobre a pedagogia do ensino da mesma? Seriam eles Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Sarney, Ferreira Gullar, Lya Luft, Jabor, Clóvis Rossi, Merval Pereira, Dora Kramer, Bechara, Alexandre Garcia, Sérgio Nogueira e afins? Prefiro ficar com os “demagogos de plantão” e com as “vozes aqui e ali” de Ataliba de Castilho (curador do Museu de Língua Portuguesa e coordenador do NURC), Sírio Possenti, Marcos Bagno, Maria Marta Pereira Scherre, Mário Perini, Luiz Carlos Cagliari, Maria Helena de Moura Neves, Magda Soares, Stella Maris Bortoni-Ricardo, Dante Lucchesi, José Miguel Wisnik, Carlos Alberto Faraco, Cristovão Tezza, Gilberto Castro, Maria José Foltran, Antônio Carlos Xavier, José Luiz Fiorin ou Miriam Lemle.

Quero deixar claro também que a didática utilizada no livro não tem a ver com populismo, lulismo, petismo. Segue a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (cujo relator foi Darcy Ribeiro, utilizado por alguns colunistas como alguém que deveria estar se revirando na tumba. Só se for por causa da cobertura midiática, não por causa do livro) de 1996 e segue também os Parâmetros Curriculares Nacionais, da gestão FHC-Paulo Bernardo. Paulo Freire, que também foi utilizado como um possível crítico do livro caso vivo, também defendia “uma escola em que a criança aprenda a sintaxe dominante, mas sem desprezo pela sua” (Retirei isso da última coluna na Folha de Pasquale Cipro Neto que, ao contrário do que a Isto É fez parecer, não acha que o livro “ensina errado”.

Até mais, caro Carlos, deixo meu desprezo pelo jornalismo da Grande Mídia, da Isto É, e meus parabéns pelo resquicio de bom jornalismo que ainda há — Luiza Perozim (Carta Capital), Maurício Dias (Carta Capital), Eliane Brum (Época), Hélio Schwarsman (Folha) e Polliana Milan (Gazeta do Povo), além de possíveis outros que eu não tenha lido. Esses, diferentes da maioria, parecem ter lido ao menos o capítulo na íntegra e mostraram saber interpretar um texto e buscar embasamento com profissionais da língua. Triste constatar qeu os jornalistas e formadores de opinião com mais destaque estão entre os analfabetos funcionais, que são porcentagem grande dos brasileiros.

No fundo, eu também achei o livro ruim. Deveria ser “os livro tão” ou “os livro tá” no lugar de “os livro estão”.

*Na época em que escrevi o texto, ela nem tinha Merval Pereira.

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Coitadinha

Por Gabriel Cavaresi

Que comovente, o discurso da atriz (?), apresentadora (?), ex-modelo fotográfica daquelas que mostram a xxt e agora parlamentar Myrian Rios. Myrian Rios, uma exemplar moça que não discrimina, não tem preconceito e prega o amor ao próximo, mas não quer um funcionário homossexual na empresa dela!

Eu não tive estômago nem saco para ouvir o discurso da deputada, mas li no site da excelente revista Veja os destaques do grande fluxo de pérolas que saiu de sua boca.

“Digamos que eu tenha duas meninas em casa e contrate uma babá que mostra que sua orientação sexual é ser lésbica. Se a minha orientação sexual for contrária e eu quiser demiti-la, eu não posso. O direito que a babá tem de querer ser lésbica, é o mesmo que eu tenho de não querer ela na minha casa. Vou ter que manter a babá em casa e sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas. E eu não vou poder fazer nada”, disse a deputada.

Comovente choramingo, deputada! À primeira vista, nem parece um show de preconceito: é direito do patrão contratar quem quiser!  Mas esse trecho merece ser analisado com mais cuidado.

 “Sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas. E eu não vou poder fazer nada”. Segundo a nobilíssima deputada, basta a empregada ser lésbica para cometer pedofilia contra suas filhas. Quem vê pensa que não há heterossexuais pedófilos. Além disso, a chance de um homem heterossexual pedófilo atacar suas filhinhas não é menor do que a chance de uma lésbica o fazer… Mas há pior mentira no “e eu não vou poder fazer nada”: não há leis diferenciando pedófilos homossexuais e heterossexuais. Se algum empregado hipotético atacar a prole da amada parlamentar, ela definitivamente vai poder fazer alguma coisa

 Segundo a revista eletrônica, “Em seu discurso, Myrian Rios defendeu o direito de demitir um funcionário pelo simples fato de ter uma outra orientação sexual. ‘Eu quero a lei para demitir sim. Para explicar que na minha casa a orientação sexual é outra’, afirmou a deputada, que ainda completou: ‘Essa PEC vem tirar o nosso direito de ser hétero’.”

Essa aí merece uma análise ainda mais aguçada. Há tempos não via um trecho tão carregado de preconceito escondido.

Eu quero a lei para demitir sim. Para explicar que na minha casa a orientação sexual é outra”. Parece até que a homossexualidade é contagiosa! Ou a deputada tem medo de que pensem que na casa dela a sexualidade é outra só por ela ter um empregado da outra sexualidade?

“Essa PEC vem tirar o nosso direito de ser hétero”. Realmente, a maior contribuição dessa mulher à sociedade foi a viabilização de algumas masturbações… é muita safadeza afirmar uma coisa dessas. Se você respeita homossexuais, tem seu direito de ser hétero violado? Estranho: não comecei a gostar de ver jogadores de futebol sem camisa desde que cheguei à conclusão de que a homossexualidade é natural… Aliás: a constituição proíbe o preconceito racial, mas ainda assim tá cheio de branco no país! (ótima exibição de lógica myriânica, agora)

Agora, uma pequena mudança no trecho:

Segundo a revista eletrônica, “Em seu discurso, Myrian Rios defendeu o direito de demitir um funcionário pelo simples fato de ter uma outra religião. ‘Eu quero a lei para demitir sim. Para explicar que na minha casa a religião é outra’, afirmou a deputada, que ainda completou: ‘Essa PEC vem tirar o nosso direito de ser evangélico.” A turma da Canção Nova ainda concorda?

 Segundo a revista eletrônica, “Em seu discurso, Myrian Rios defendeu o direito de demitir um funcionário pelo simples fato de ter uma outra cor ‘Eu quero a lei para demitir sim. Para explicar que na minha casa a raça é outra’, afirmou a deputada, que ainda completou: ‘Essa PEC vem tirar o nosso direito de ser ariano’.”

Myrian Rios é mais conhecida por ser ex de Roberto Carlos e mais uma dessas moças que “encontraram Deus” depois de mostrar a periquita até o povo enjoar, assim como as moças direitas Mara Maravilha e Carla Perez. De acordo com uma frase atribuída a Elke Maravilha que vi no Twitter hoje, “quando o Diabo não quer mais, entrega pra Deus”. Só que ela, diferentemente da maioria dos renascidos após uma vida de pecado, não é evangélica, e sim católica. Ela faz parte da farsa chamada Renovação Carismática, um movimento católico light que visa tornar o catolicismo mais lucrativo através da eliminação de grande parte das obrigações do fiel (não o dízimo, claro) e da eliminação e/ou subversão das partes mais hardcore da Bíblia. O católico renovado não é como aquele da hilária revista Catolicismo, nem como o membro da não menos hilária Frente Universitária Lepanto: ele é moderninho, com idéias supostamente jovens e etc., porém, o católico renovado verdadeiro mantém o preconceito inerente à tradição bíblica.

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Debatendo Reforma Política – Parte 1 – Custo e Financiamento de Campanha

Os aproximadamente três primeiros minutos do programa Opinião Nacional, da TV Cultura, de DOIS MIL E OITO mostra como a discussão sobre uma reforma política em nosso país vem de longa data. As questões são muitas, e polêmicas, e todos os legisladores, governadores, prefeitos, e presidentes que passaram por nosso país nos últimos anos se dizem a favor da reforma. Mesmo assim, projetos e mais projetos são engavetados, a discussão nunca acaba e não se entra em um consenso.

Entre os assuntos a serem discutidos e votados estão o custo da campanha e seu financiamento. Como se sabe, atualmente cada partido vai atrás de seu próprio financiamento e lhes é permitido doações do setor privado. O Estado cobre apenas os gastos com a Justiça Eleitoral e com o horário político nas televisões. A cada eleição os gastos com as campanhas são maiores e isso é preocupante. Candidatos a deputado gastando o que há não muito tempo gastava um a governador não é algo que parece assustar muita gente. Bilhões de reais são gastos com o que chamo de espetacularização da política. Produções cinematográficas são feitas para o horário eleitoral dos candidatos a presidente. Os dois principais candidatos das eleições de 2010 gastaram milhões e milhões com suas propagandas. E é gasto mais tempo com marketing político do que com debate de ideias. Está havendo uma despolitização da política. Os candidatos ficam mais preocupados em apontar o que seus respectivos governos fizeram e o que os governos do adversário deixaram de fazer ou fizeram errado do que em debater os rumos que deve seguir nosso país, e os programas de governo a serem executados para o bem comum de todos os cidadãos brasileiros.

A quantidade de dinheiro que financia e as disparidades nos valores dos custos das campanhas de cada candidato são espantosas. E muito desse dinheiro vem de empresas privadas, de empreiteiras, de mineradoras, do agronegócio, de bancos privados. E e eu me pergunto e pergunto a você que talvez está lendo isso aqui: O que leva uma empreiteira a financiar determinado candidato a deputado, governador, senador ou presidente? A ideologia da empresa e a vontade de contribuir com a democracia? Digam-me. Por que? Será que eles não estão querendo nadinha em troca? Quando o executivo for fazer alguma obra ou quando o legislativo for votar alguma lei vai esquecer que os financiou e votar imparcialmente? Duvido.

Por isso um dos pontos principais dessa reforma deve ser o financiamento público de campanha. O dinheiro não precisa vir exclusivamente do setor público. Pessoas físicas poderiam continuar ajudando nos projetos que acreditam, nos partidos em que confiam (desde que houvesse um teto para as doações dos militantes).

O financiamento público é necessário para que se diminua a corrupção, o caixa-2, e todo o tipo de sacanagem que acontece no país. É necessário para que os políticos sejam mais indepententes, para que não estejam ligados a interesses corporativos, empresariais, para que realmente legislem sem o rabo preso. Porra, fora que vai dar mais igualdade entre os candidatos. Deve-se estabelecer um custo fixo para campanha de acordo com a função (deputado, governador, presidente).

Mas é foda aprovar uma reforma política decente. As pessoas que votam essa reforma são também as pessoas beneficiadas pelo sistema atual. Mesmo assim, é possível que  o financiamento público de campanha consiga passar pelo congresso. Os 414 deputados que responderam a um questionário feito pelo G1 sobre temas polêmicos, 249 se disseram completamente a favor do financiamento público. 74 dos 414 se disseram a favor de um sistema misto, onde coexistam o público e o privado (mas acho que isso não mudaria nada).

Um estudo feito pela Consultoria Legislativa da Câmara mostrou que 71,9% (MAIS DE SETENTA POR CENTO!!!!) dos deputados eleitos são também os deputados que tiveram as campanhas mais caras. Ou seja, dos 513 deputados que compõe a câmara federal atualmente, 369 são também os que mais gastaram dinheiro com a campanha. Dentre os 41 que fazem parte da comissão especial para reforma política, 18 gastaram mais de 1 milhão de reais.

Ricardo Berzoini (PT-SP) gastou mais de 3 milhões, enquanto Ivan Valente (PSOL-SP) gastou pouco mais de 240 mil (sem financiamento de empresas). Percebem a diferença? Desse jeito só quem tem poder econômico consegue chegar ao poder legislativo. Um cidadão comum que quiser entrar para vida política tem que ralar muito pra conseguir grana para sua campanha. E as campanhas tem sido mais de poluição sonora e visual, com musiquinhas bonitinhas e um slogan legal do que com programas, ideias, projetos.

Se mesmo com financiamento público, o setor privado quiser contribuir com a democracia, e diminuir os gastos do Estado, pode doar o dinheiro para um fundo administrado pela Justiça Eleitoral, para depois ser dividido entre os candidatos igualmente, sem que as doações sejam diretamente a um candidato.

A reforma política não tem que ser debatida apenas lá no Congresso, tem que ser debatida pela sociedade civil também. Temos que lutar para que a política seja cada vez mais justa e cada vez mais participativa. Sem o nosso apoio, sem a nossa pressão, a reforma vai continuar não saindo do papel e todo ano o debate vai recomeçar e nunca acabar.

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Tire suas Crônicas da Gaveta

Rápido, divertido e de qualidade. Com essas três palavras eu recomendaria a qualquer amigo o livro do estreante Guilherme Tauil. Infelizmente o livro não está à venda e apenas trezentos privilegiados tiveram a chance de ver algumas das crônicas do jovem de dezoito anos, editor do blog Artilharia Cultural. Eu e Tauil nos conhecemos em algum momento de 2008, quando ambos participávamos do fórum de literatura Meia Palavra e uma amizade começou através do MSN. Para os fãs mais antigos do autor, algumas crônicas parecerão já terem sido lidas. E devem ter sido mesmo, afinal, Tauil já havia publicado algumas delas em seu antigo blog Meia Meio Suja e no atual Artilharia Cultural. Com prefácio de Humberto Werneck, autor do dicionário de lugares-comuns, O Pai dos Burros, e de um livro sobre as letras de Chico Buarque, entre outros, o livro de Tauil reúne vinte e duas crônicas de 2008 a 2010, além de um conto e um poema. Conta também com algumas citações de autores consagrados no início de todas as crônicas.

O senso de humor é um dos pontos altos do livro, e o livro tem desde uma conversa entre Deus e um desencarnado combinando seu destino, até um arquiteto suspeito de furtar carros em um estacionamento. O livro é composto de divertidos momentos, alguns guias e até de algumas receitas para o caos. É impossível não rir com o aluno de yoga que não sabe o que é pódice ou com o empréstimo do Diogo.

O livro chegou ontem, o devorei rapidinho e o gosto que ficou foi, com certeza, de “quero mais”, e a decepção que você tem quando acaba de ler o livro é a de que Tauil escreveu menos do que o leitor gostaria? Ou por acaso você fica satisfeito quando acaba um livro que estava gostando e que passou tão rápido? Enfim, talvez daqui a cinqüenta anos eu não mantenha mais meu contato com o Guilherme, mas ao menos terei o primeiro livro, autografado, de um grande autor contemporâneo, entre tantos outros, em minha estante. Ou não, talvez a fama não seja o que ele quer, e ele passe a vida dando aulas de português ou estudando a língua e seus usos. Aliás, não conheço uma pessoa que goste mais da cultura brasileira do que Tauil. E mesmo que seus livros não fiquem lá tão famosos assim, guardarei o livro de um velho amigo escritor. E bom… Acho bom eu seguir o que ele pede na dedicatória e não deixar de escrever. Vida longa aos escritores. Vida longa ao Tauil!

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Foda-se, escreverei.

Aconteceu novamente. Mais uma vez abandonei o blog. Vários dias sem nada escrever. Já cansei disso. E quantas vezes já não disse a mesma coisa? Ando assistindo a vários filmes, e poderia escrever algo sobre eles, mas não o faço. Por que? Não sei o que escrever. E tudo parece já ter sido dito. Críticos melhores já comentaram sobre isso, Lucas. Aliás, sobre o que? Não tenho certeza se sei escrever sobre filmes. Mas como vou saber se nunca começar? E sobre música? Você gosta de música, por que não escreve sobre? Por que não escreve nada? Durante muito tempo eu pensei. “Por que escrever?”. E com certeza vou continuar pensando. Escrevo para que? Para quem? Para que tenho esse blog? Porque não escrevo em papéis e deixo jogados em uma gaveta. Está aí o erro que devo ter cometido algumas vezes. Estou a todo momento receoso quanto ao que vão pensar do que escrevi. Escrevo para os outros quando deveria fazê-lo para mim. Por que?

Não lembro se pensei em muitas profissões na minha infância. Eu sempre estive certo de que seria escritor. Talvez porque eu gostasse de ler. E admirasse aqueles que publicavam suas histórias, seus pensamentos, suas fantasias, seus devaneios… Tudo que pensava em ser era escritor, jornalista. Conforme cresci, pensei em outras coisas, sem nunca abandonar os dois primeiros. Ontem cheguei a uma conclusão que já tinha perdida entre meus pensamentos. Escrevo porque necessito escrever. Pois penso demais. Penso em vinte coisas ao mesmo tempo. Perco-me em meus pensamentos. Então… Ansiedade, ansiedade, ansiedade. Já fui dormir simplesmente para parar de pensar, quando não tinha sono. Escrever ajuda-me a organizar esses pensamentos. Ou ao menos a botá-los para fora. E se deles eu precisar, estarão aqui, escritos, esperando por mim. E pra que é que eu preciso que alguém leia isso aqui? Para nada. No máximo para fortalecer meu ego. E isso é algo de que vou tentar me livrar o mais rápido possível. Não vou mais esperar ansioso por um recorde do contador de visitas, como já muitas vezes fiz. Quem quiser comentar os meus posts, que comente, não vou mais ficar implorando por comentários, pois isso é ridículo. Quem quiser ler o que escrevo, que leia. Meus amigos já devem estar cheios de eu ficar pedindo pra ler isso ou aquilo. Escreverei para mim. E para quem quiser, não para quem eu pedir. Vou escrever sobre os filmes que assistir. Nem que seja um parágrafo. Até agora não escrevi pois pensei que não havia nada que eu pudesse acrescentar. Mas foda-se. Nem que eu repita tudo que críticos mais hábeis já tenham dito. Se eu não escrever sobre os filmes agora, não vou saber escrever depois. Então que diferença faz? Vou escrever sobre o que pensar em escrever. Não vou ficar pensando se vai ser bom ou ruim. Já que no meu ócio vou assistir a filmes, nada mais normal do que eu produzir algo sobre eles. Afinal, o fato de ser produtivo não quer dizer que é bom. Eu deveria seguir a dica de Athur Rimbaud, uma das faces de Bob Dylan na cinebiografia “Não Estou Lá”, e não criar nada. Ele me disse para não criar nada, pois serei mal compreendido e eternamente perseguido por isso. Mas quem disse que sou bom em seguir dicas? Aliás, como posso evitar uma necessidade? Escrevo e pronto.

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Você Produtivo: Pela Liberdade de Expressão!

Guest post enviado por Gabriel (@gcavaresi), 15 anos.

A liberdade de expressão corre sério risco. Não apenas pelos ataques de Lulla à liberdade de imprensa (o sonho dos petralhas é dar a imprensa aos blogueiros do esgoto), mas aos ataques do “politicamente correto” contra a diversidade de opiniões. Um exemplo disso é o PLC 122, que os corruPTos e a Gaystapo estão tentando enfiar goela abaixo dos cidadãos de bem do Brazil.

Segundo a aberração jurídica chamada de PLC 122, não teremos mais a liberdade de ser contra as abominações cometidas pelos homossexuais e as suas práticas. Tentam nos obrigar a aceitar que é normal a existência de travestis roubando a inocência de nossas crianças nas esquinas e a deixar que homossexuais se beijem na nossa frente e na frente de nossas crianças. É inaceitável que se imponha o homossexualismo desse jeito. Durante a Idade Média ‒ a verdadeira Idade das Luzes ‒ o homossexualismo era proibido. Depois, com o “Iluminismo” e o rebaixamento da Religião ao plano particular, ele passou a ser aceito. Em pouco tempo, tentarão proibir a prática heterossexual, dando o golpe final contra a família cristã, base de nossa sociedade.

Infelizmente, os ataques dos gayzistas não são os únicos que estão sendo feitos contra a liberdade de expressão. Há também os ataques da turma do “orgulho negro” (que absurdo, ter orgulho de pertencer a uma raça. Em vez de se orgulharem de serem cidadãos de bem e trabalhadores, se orgulham por terem mais melanina do que nós!), que, ao contrário dos gays, já conquistaram muitas leis injustas a seu favor. Por exemplo: eu posso demitir a minha empregada doméstica ou meu funcionário da empresa se eu descobrir que eles praticam abominações sexuais (embora os gays queiram me roubar esse direito!) ‒ não quero ensinar aos meus filhos que isso é normal! ‒ mas não posso demiti-los caso eles sejam negros! Segundo pesquisas sérias e isentas, os negros são menos inteligentes do que os brancos. Ainda assim, não posso rejeitar ou demitir um negro para contratar um funcionário mais inteligente. É como eu costumo dizer: ser branco não é proibido… ainda. Mesmo já sendo muito privilegiados por leis como essas ‒ além das cotas, do dia da “Consciência Negra” (e o da Consciência Branca?) e tantas outras aberrações ‒, os negros ainda seguem em sua investida contra a diversidade racial e de pensamento. A obra-prima “Caçadas de Pedrinho” (que já havia sofrido ataques por mencionar a saudável e milenar prática da caça, atacada pelos politicamente corretos), escrita pelo grande homem e escritor Monteiro Lobato, quase foi BANIDA das escolas brazileiras simplesmente por conter trechos politicamente incorretos em que se chamava Tia Nastácia de “preta” e a comparava a uma macaca! Ué, se podemos chamar euro-descendentes de brancos, por que não os “afro-descendentes” de pretos? E qual é o problema de comparar uma mulher a um animal tão inteligente quanto o macaco? É o fim! É a era do obscurantismo. Felizmente, graças à exemplar atuação dos homens de bem desse país e de baluartes da moral e da ética como a Revista Veja e O Globo, tal absurdo não se concretizou.

Mesmo tendo falhado em censurar a magnífica obra de Lobato, a militância negra e politicamente correta não para. Querem proibir-nos de utilizar termos tão antigos quanto a linguagem, como “mercado negro” e afins. Segundo os obscurantistas, isso denigre a imagem dos negros. Essa gente “correta” e moralista não tem inteligência o suficiente para notar que nós, os brancos, também sofremos “preconceito lingüístico”: o termo “arma branca” deve ser proibido? Além disso, sugiro que esses militantes passem em qualquer mercado negro pelo nosso Brazil. Com toda certeza, encontrarão muito mais pretos do que caucasianos. Logo, é mais óbvio chamar de “mercado negro” do que de “mercado branco”!

Ainda assim, não só os brancos e heterossexuais têm sua liberdade cerceada: os homens em geral estão sofrendo isso. O avanço da doença chamada feminismo é muito grande e já destruiu muitas famílias e tornou a sociedade doente nas últimas décadas. Antigamente, quando a família ainda era unanimemente vista como a célula-mãe da sociedade, os homens eram os provedores da família e garantiam a sobrevivência de sua mulher e filhos. Sua esposa, em contrapartida, cuidava do lar e das crianças, dando a elas a melhor criação e ensino que poderiam ter. O homem e a mulher eram vistos como iguais, tendo apenas funções diferentes de acordo com seus dons. Com o avanço das feminazis, as mulheres passaram a tentar subverter a ordem natural dada por Deus, assumindo o papel de homens. Essa anomalia causou à sociedade uma perda enorme à família, resultando numa onda de divórcios de mulheres buscando “libertação” da ordem natural das coisas e inúmeras outras perdas: os filhos passaram a ser criados distantes da mãe, o que causou uma acentuada queda na moral e na disciplina das novas gerações. Isso foi a causa do aumento do homossexualismo e de outras aberrações que vêm acontecendo desde a “revolução sexual”. Com a entrada em massa de mulheres no mercado de trabalho, os homens foram obrigados a concorrer com um contingente de mulheres por empregos. Para os homens, isso não foi muito difícil, já que somos mais hábeis nos trabalhos não-domésticos, mas foram causados muitos problemas com isso, como desemprego e excesso de concorrência, que, graças à sagrada Lei da Oferta e Procura, abaixou o salário médio da sociedade. Mesmo com o homem e a mulher trabalhando, a renda da família continuou praticamente a mesma! E não foi só isso: como as mulheres não cozinhavam mais para a família, as pessoas começaram a comer mais comida rápida e industrializada, o que causou um acintoso aumento na obesidade e uma enorme queda na qualidade da alimentação da sociedade. Tudo por causa do feminazismo!

Einstein não era um homem sozinho. Se não fosse sua esposa, ele teria que perder tempo com tarefas domésticas e não sobraria tempo para o gênio desenvolver suas revolucionárias teorias científicas. O mesmo ocorreu com tantos outros cientistas, inventores e filósofos, entre outros homens imprescindíveis para o progresso da sociedade. Quantas mulheres fizeram descobertas tão importantes? Nenhuma! A razão disso é simples: essa não é a tarefa delas. A tarefa delas é auxiliar o marido, numa sagrada simbiose que move a humanidade. Sem suas mulheres, os cientistas não seriam ninguém. Eles não são, de forma alguma, superiores a elas. Sem a ajuda prestada por suas esposas, tais homens jamais poderiam ter feito sua contribuição com a humanidade. As feminazis também estão destruindo essa sagrada relação homem-mulher e seus atributos dados por Deus. Com a espúria lei “Maria da Penha”, o homem não pode mais corrigir sua mulher caso ela não se comporte de acordo com as regras de convivência do casal. Essa lei, além de violar um costume milenar e essencial ao progresso da humanidade, vai contra a liberdade de religião, prevista na Constituição Federal do Brazil, pois proíbe o Cristão de realizar uma prática ordenada por Deus, que é a de disciplinar sua esposa. Com isso, as feminazis divorcistas deram o golpe de misericórdia na instituição divina do casamento.

Não é só isso: estamos sofrendo mais ataques dos “corretinhos”. São tantos que não posso citar em um só texto. Vão desde a (des)educação brazileira enfiando a pseudociência do evolucionismo (que prega que viemos do macaco, e não que somos a espécie criada à imagem e semelhança de Deus!) às cotas raciais e sociais que são criadas para barrar a entrada de nossos filhos nas universidades públicas, que ajudamos a sustentar.

Apesar disso, nós, os cristãos e homens de bem, jamais nos renderemos. Como exemplo da nossa resistência, cito a recusa dos espúrios cartazes da ATEA, a associação dos ateus (ou à-toas?) revoltados com a ordem social que tentam impor suas patéticas crenças e proibir o Cidadão de Bem de professar sua sagrada religião, pela empresa de ônibus. Essa clara demonstração de respeito à liberdade de expressão e crença mostra que, nós, cidadãos, não estamos mortos. E que resistiremos. Mesmo sendo alvos de todos os preconceitos e discriminações possíveis, o homem branco cristão e heterossexual não se dará por vencido. Fiquem na paz de Jesus e Maria!

Nota do editor:

E para quem não percebeu e está puto com o texto… Esse é um texto à la Professor Hariovaldo. For the sake of trolling.

Ô pessoal! Nem eu e nem o autor do texto concordamos com nada que tá no mesmo.  É ironia, ok? É meio que uma síntese dos pensamentos de alguns reaças. Deu pra entender?

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Legislar em causa própria

Enquanto discute-se se o salário mínimo deve ser 540, 560 ou 580, nossos deputados votam às pressas, com urgência, seu reajuste salarial. E não é um aumentinho normal não. São mais de 61,8% de aumento nos próprios salários. Porcentagens diferentes para senadores, presidente, vice-presidente e ministros, mas o salário deles será o mesmo de um ministro do STF. Já vi um artigo da Super Interessante sobre quanto custa um deputado federal para União, antes desse aumento. E já era absurdamente caro. E agora? Esses deputados trabalham tanto para merecerem 26,7 mil reais por mês? Por que não votam logo a PEC 300 que está há tanto tempo esperando? A câmara também aprovou o aumento de 147% de aumento para ministros e vice-presidente e 133% para a nossa Presidente.

Fiquem de olho em seus deputados. E não só nos que vocês votaram, mas em todos que lhe representam. Acompanhem-os. Vários deles tem twitter… Por que não segui-los? Temos que saber o que esses deputados estão falando, o que eles pensam, o que eles fazem, como votam. Uma boa forma de acompanhá-los é seguir a lista com 335 Deputados federais feita pelo companheiro @ivo_leite.

Saiba quem votou contra e quem votou a favor do reajuste. Converse com esses deputados, saiba porque votaram como votaram. O Twitter está aí como uma genial ferramenta para fins como esse. A internet é fantástica, e tem um poder incrível, mas precisamos aprender a usá-la da forma certa. O Deputado Vicentinho do PT/SP disse em conversa com a Rede Liberdade disse ao perguntado sobre o aumento e o fato de ter votado a favor “Olha… A primeira explicação é que… Eu quero confessar que isso é algo até constrangedor para mim. Eu não vim para o congresso pra receber salário. Eu vim para o congresso para comprir uma missão representando a classe trabalhadora e é por isso que todos os meus projetos são voltados para os interesses da classe trabalhadora. Entretanto existe um erro constitucional. O primeiro erro é que, não sei porque cargas d’água, como os poderes são iguais, o certo é que o salário de cada segmento ser exatamente igual, presidente, judiciário e também os parlamentares […]”, Ele explica que os salários de todos os poderes deveriam ser iguais, e que se isso tivesse sido resolvido desde o começo, lá na Constituição, não precisariamos estar passando por isso. E continua “No meu caso, eu tô votando, dentro de minha bancada.. A gente votou pela urgente do debate, nós esperavamos que ia acontecer um debate em que se discutisse a equiparação, um processo lento, gradual, com o entendimento da sociedade, e não o reajuste de uma vez. Na verdade, não houve a votação para o reajuste. A votação foi mais para urgência. Mas é uma coisa muito difícil, no meu caso que nunca ganhei tanto salário assim na minha vida, eu procuro de uma certa forma compensar. Compensar de que maneira? O trabalhador rural, Celso Costa, que é um trabalhador do assentamento Terra Nossa, lá em Bauru, é um trabalhador rural que, graças a esse salário que eu tenho, ele tem a sua faculdade mantida, porque eu tenho certeza que ele será um advogado da classe trabalhadora, pra defender os trabalhadores rurais sem-terra. Também, um outro companheiro cujo filho é estudante de medicina e não pode pagar, este mandato também contribui para garantir que esse filho de operário tenha o direito de ser Doutor. Então a gente busca mecanismos para dividir minimamente com segmentos sociais dentro de algum tipo de projeto […]”

Falei com o Deputado Chico Alencar pelo twitter e disse o seguinte “Deputado, admiro muito você e acho louvável o PSOL ter votado contra o reajuste. Mas, vão recebê-lo de qualquer jeito, não? Vocês pretendem de alguma forma devolver, recompensar a sociedade ou mesmo recusar o aumento?” e ele logo atenciosamente respondeu-me “O PSOL tem um método, q é compromisso de cada parlamentar nosso, para fazer de parte da remuneração apoio aos mov. sociais. O maior probl. nem é o subsídio individual, mas a forma abrupta da ‘equiparação’ e, sobretudo, os gastos gerais c/ cada parl.”

Gostaria de dizer que o problema não é simplesmente o aumento. O problema é que enquanto o salário mínimo aumentou cerca de 6% esse ano, o dos parlamentares aumentará 62%. O salário mínimo continua muito baixo, enquanto o dos parlamentares, ministros, presidente e vice, sobe para o teto do funcionalismo público. Se a ideia é equiparar o salário dos três poderes, o ideal é que tenham aumento gradual.

Uma minoria no congresso protesta por um reajuste menor. Luiza Erundina, que faz parte desse grupo defensor de menor aumento disse “Atenta contra o interesse público, é desrespeitoso com os servidores públicos, com os trabalhadores de modo geral, com os aposentados, com os pensionistas. Temos que ter alguma coerência entre a forma como nos remuneramos e aquilo que a média dos trabalhadores desse país é remunerada. A base é repor salário de acordo com a inflação.”

A proposta propõe uma elevação de acordo com a inflação dos últimos quatro anos, já que os deputados estão há quatro anos sem aumento. Mesmo esse aumento seria alto, mas mais aceitável que esse.

Ivan Valente, outro defensor dessa proposta diz “O aumento de salário para um servidor que presta serviços à nação está ligado à razoabilidade. Lógico que não pretendemos que um deputado ganhe exatamente o salário mínimo, mas também não é razoável que isso (o reajuste aprovado) aconteça enquanto o governo alega que não tem condições para conceder um aumento no salário mínimo que passe os R$ 540. Não é compreensível, a proposta não foi boa. Não há condições de existir um vencimento tão destoante da realidade nacional, é muito alto para os padrões brasileiros”

 É sempre importante que nós, brasileiros, participemos de alguma forma da política em nosso país. E não é só votando, embora isso seja essencial; é protestando, reclamando, sugerindo, questionando. O projeto Ficha Limpa, que aliás está sendo desrespeitado pelo STF, que já liberou vários bandidos, surgiu de iniciativa do povo. Nós temos a força. Para quem não está satisfeito com o aumento dos políticos, assine a petição:

http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2010N4596 

Update

Veja o video de manifestantes em Brasília contra o aumento dos políticos.

Update 2

Ivan Valente também respondeu no Twitter: “Já comentei isso aqui. No nosso mandato, recursos não são apenas p/o parlamentar e sim p/fortalecer a luta dos movimentos sociais. Nossa obrigação é sempre fazer um mandato melhor, que responda aos interesses da população.”

Update 3

Cris Rodrigues do blog Somos Andando diz o seguinte:

“Esse tipo de situação gera a sensação em cada cidadão de ser passado para trás, que leva a uma insatisfação com toda a classe política, incentivada pela imprensa. Acaba que o eleitor vota em qualquer um, com a ideia de que “é tudo a mesma porcaria” e não contribui para melhorar a representatividade do Legislativo por conta de sua descrença. Ou seja, a concessão de aumento aos próprios salários contribui, ao lado de tantos outros fatores, inclusive a campanha sistemática de despolitização da nossa imprensa, para o desgaste das instituições políticas, o que é extremamente prejudicial para a nossa democracia.

O aumento não seria tão esdrúxulo caso o Brasil não tivesse discrepâncias gigantes entre as remunerações de diferentes categorias, como a de professores, médicos da rede pública, policiais. E não se trata de negar a responsabilidade de que são investidos os ocupantes de cargos eletivos. Eles merecem remuneração à altura, mas é preciso ter clareza de qual é essa altura, até para que não caiam e não quebrem as pernas.” 
Texto Completo aqui.

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Sobre as eleições 2010, minhas reflexões – Parte 2

Eu não sei até quando vou ter ideias para escrever sobre as eleições, então não sei quantas partes vai ter isso aqui. Talvez essa seja a última, talvez não. Dependendo de como for, depois edito.

Até 2010 eu não fazia ideia do que significava PIG. Até 2010 eu não sabia que a Veja era tão mentirosa, embora um amigo meu vivesse falando que a veja era um lixo e que não falava a verdade. Aliás, foi só esses dias que eu fui perceber que o PHA que eu lia era o mesmo cara que uma vez ou outra eu tinha visto apresentando o Domingo Espetacular (sim, é verdade, podem rir).  Nessas eleições isso tudo ficou claro para mim.

Lendo os blogs “progressistas”, os blogs do lado negro da força, dos blogueiros sujos, pagos pelo governo, foi que eu percebi o quão direitista e reacionária nossa velha mídia é. A mesma imprensa que apoiava, elogiava e ajudava os militares na época da ditadura. A imprensa que concentra pessoas que chamam o golpe de revolução e a ditadura de ditabranda. A imprensa que publica pérolas do conservadorismo como Luis Felipe Pondé. Sério, esse Pondé não é uma sátira assim como o engraçadíssimo Professor Hariovaldo?

Fatos interessantes do ano de 2010: Folha e Estadão, que lutam tanto contra a censura e são tão adeptos da liberdade de expressão tiveram dois casos intrigantes de censura. Folha processou Falha, enquanto Estadão demitiu Maria Rita Kehl, pura e simplesmente porque a mesma falou bem do bolsa família e do Lula num jornal que apoiou declaradamente o senhor Rojas na eleição. Opa, Rojas? Quem?

É, outra situação que ao mesmo tempo me deixou nervoso e me fez rir foi o episódio da Bolinha de papel. Bolinha de papel? Não, da fita crepe. Não é fita crepe? Foi uma bigorna que caiu na cabeça do José Serra? Ah sim, agora está explicado, Jornal Nacional. O que faz-me pensar que sou muito burro é que quando o jornal do Bonner e da Fátima passaram aquela matéria de quase dez minutos desmentindo SBT, Lula, Dilma e todo o pessoal do twitter, que ficou o dia inteiro fazendo piadas (aliás, achei muito mais engraçadas que as de experiências culinárias com Activia. Foi esse ano? Ah, é mesmo), eu por alguns minutos acreditei. Acreditei não, mas fiquei em dúvida. E se tiver mesmo um segundo objeto mais pesado? Mas Lucas, você nem conseguiu ver nada naquele video mal filmado com celular, quem viu foi o Ricardo Molina, que, pasmem, é especialista em fonética forense. Depois fiquei sabendo de umas polêmicas envolvendo esse perito usado pela Rede Globo. Também já sabia de algumas coisas envolvendo a Globo, algumas relacionadas as eleições de 89. Nessa semana da bolinha de papel, fui viajar. Entro na internet e me deparo com o blog de um professor desmontando toda a história do JN, que já nem acreditava mais. O professor analizou quadro a quadro o video e percebeu algumas coisas intrigantes. De onde vinha o objeto? Para onde foi? De qualquer forma, cabe dizer que Serra tendo tido reação exagerada ou não (e pobres do que esperam meses para um raio-x, enquanto o tucano vai rapidinho para um hospital particular fazer tomografia), não apoio nenhum tipo de violência. Mesmo tendo sido uma bolinha de papel, quem jogou está errado. E também não concordo com a posição assumida publicamente por Lula de desmoralizar o candidato (que não precisava de comentário do Luis Inácio para ser ainda mais desmoralizado, convenhamos), pois não acho que isso caiba a alguém em posição de Presidente da República.

Os blogs foram um importante contraponto para mim nessas eleições. Não deixei de ler uma coisa ou outra do PIG, mas fiz sempre a leitura de vários blogs que sigo acompanhando até hoje para não cair nas falcatruas da velha mídia. Depois das eleições tivemos o caso da Folha Ombudsman se achando mais importante do que a internet no caso da Wikileaks e achando que tinha exclusividade nos documentos da mesma. Os jornalistas precisam aprender muito. Estão atrasados e não entendem a internet. Se não ficarem ligados nas inovações da rede, vão acabar comentando o tweet de um Fake declarado do Celso Amorim, em seu perfil na rede social. Ou mesmo publicar a ficha criminal falsa de alguém.

Continua (talvez)

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