Coitadinha

Por Gabriel Cavaresi

Que comovente, o discurso da atriz (?), apresentadora (?), ex-modelo fotográfica daquelas que mostram a xxt e agora parlamentar Myrian Rios. Myrian Rios, uma exemplar moça que não discrimina, não tem preconceito e prega o amor ao próximo, mas não quer um funcionário homossexual na empresa dela!

Eu não tive estômago nem saco para ouvir o discurso da deputada, mas li no site da excelente revista Veja os destaques do grande fluxo de pérolas que saiu de sua boca.

“Digamos que eu tenha duas meninas em casa e contrate uma babá que mostra que sua orientação sexual é ser lésbica. Se a minha orientação sexual for contrária e eu quiser demiti-la, eu não posso. O direito que a babá tem de querer ser lésbica, é o mesmo que eu tenho de não querer ela na minha casa. Vou ter que manter a babá em casa e sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas. E eu não vou poder fazer nada”, disse a deputada.

Comovente choramingo, deputada! À primeira vista, nem parece um show de preconceito: é direito do patrão contratar quem quiser!  Mas esse trecho merece ser analisado com mais cuidado.

 “Sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas. E eu não vou poder fazer nada”. Segundo a nobilíssima deputada, basta a empregada ser lésbica para cometer pedofilia contra suas filhas. Quem vê pensa que não há heterossexuais pedófilos. Além disso, a chance de um homem heterossexual pedófilo atacar suas filhinhas não é menor do que a chance de uma lésbica o fazer… Mas há pior mentira no “e eu não vou poder fazer nada”: não há leis diferenciando pedófilos homossexuais e heterossexuais. Se algum empregado hipotético atacar a prole da amada parlamentar, ela definitivamente vai poder fazer alguma coisa

 Segundo a revista eletrônica, “Em seu discurso, Myrian Rios defendeu o direito de demitir um funcionário pelo simples fato de ter uma outra orientação sexual. ‘Eu quero a lei para demitir sim. Para explicar que na minha casa a orientação sexual é outra’, afirmou a deputada, que ainda completou: ‘Essa PEC vem tirar o nosso direito de ser hétero’.”

Essa aí merece uma análise ainda mais aguçada. Há tempos não via um trecho tão carregado de preconceito escondido.

Eu quero a lei para demitir sim. Para explicar que na minha casa a orientação sexual é outra”. Parece até que a homossexualidade é contagiosa! Ou a deputada tem medo de que pensem que na casa dela a sexualidade é outra só por ela ter um empregado da outra sexualidade?

“Essa PEC vem tirar o nosso direito de ser hétero”. Realmente, a maior contribuição dessa mulher à sociedade foi a viabilização de algumas masturbações… é muita safadeza afirmar uma coisa dessas. Se você respeita homossexuais, tem seu direito de ser hétero violado? Estranho: não comecei a gostar de ver jogadores de futebol sem camisa desde que cheguei à conclusão de que a homossexualidade é natural… Aliás: a constituição proíbe o preconceito racial, mas ainda assim tá cheio de branco no país! (ótima exibição de lógica myriânica, agora)

Agora, uma pequena mudança no trecho:

Segundo a revista eletrônica, “Em seu discurso, Myrian Rios defendeu o direito de demitir um funcionário pelo simples fato de ter uma outra religião. ‘Eu quero a lei para demitir sim. Para explicar que na minha casa a religião é outra’, afirmou a deputada, que ainda completou: ‘Essa PEC vem tirar o nosso direito de ser evangélico.” A turma da Canção Nova ainda concorda?

 Segundo a revista eletrônica, “Em seu discurso, Myrian Rios defendeu o direito de demitir um funcionário pelo simples fato de ter uma outra cor ‘Eu quero a lei para demitir sim. Para explicar que na minha casa a raça é outra’, afirmou a deputada, que ainda completou: ‘Essa PEC vem tirar o nosso direito de ser ariano’.”

Myrian Rios é mais conhecida por ser ex de Roberto Carlos e mais uma dessas moças que “encontraram Deus” depois de mostrar a periquita até o povo enjoar, assim como as moças direitas Mara Maravilha e Carla Perez. De acordo com uma frase atribuída a Elke Maravilha que vi no Twitter hoje, “quando o Diabo não quer mais, entrega pra Deus”. Só que ela, diferentemente da maioria dos renascidos após uma vida de pecado, não é evangélica, e sim católica. Ela faz parte da farsa chamada Renovação Carismática, um movimento católico light que visa tornar o catolicismo mais lucrativo através da eliminação de grande parte das obrigações do fiel (não o dízimo, claro) e da eliminação e/ou subversão das partes mais hardcore da Bíblia. O católico renovado não é como aquele da hilária revista Catolicismo, nem como o membro da não menos hilária Frente Universitária Lepanto: ele é moderninho, com idéias supostamente jovens e etc., porém, o católico renovado verdadeiro mantém o preconceito inerente à tradição bíblica.

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