Sobre as eleições 2010, minhas reflexões – Parte 1

Acredito que antes desse ano eu não estava nem um pouco interessado por política. Não fazia ideia do que era esquerda e direita na política. São canhotos na hora de governar? Credo, que piada horrível, eu nem entendi.  Mas é verdade, se me falassem ano passado que tal argumento era de reaça, era de conservador, eu não saberia do que estavam falando. Aliás, em que eu pensava até esse ano, hein? Porque agora, respiro política. Meus amigos me enchem o saco quando começo a falar disso em sala de aula. São todos reaças, que pena. É! Agora sei o que isso significa.

Hoje, quando não estou pensando em política partidária, ainda estou pensando em política, seja lutando pelos direitos humanos, defendendo os vazamentos do Wikileaks, ou pensando em políticas sociais para estebelecer a igualdade entre as pessoas. Machismo? Argh. Homofobia? Racismo? Sai pra lá! Chamar de terrorista alguém que lutou pelo fim de um regime totalitário e repressor? Convenhamos, por que dou atenção a essas pessoas e tento convencê-las de qualquer coisa? Não votar em alguém por ser mulher, ou alegar que a mesma é sapatão, é o cúmulo da burrice. É claro que nem todos os não eleitores da Dilma deixaram de votar nela por isso. Temos aqueles eleitores do Serra que se dizem politizados e que são ultramente críticos do governo Lula e são extremamente anti-PT. Difícil encontrar um eleitor do Serra que vota nele por amor ao partido ou por amor a suas ideias de “social-democracia”, ideias mais à esquerda do que as do atual governo, segundo o ilustríssimo senhor Aécio Neves. Simplesmente odeiam o PT. Seja por ser aquele partido da corrupção, do caixa 2, do mensalão, segundo a Veja, seja por eles serem o partido que troca votos por bolsa miséria. Malditos, não podemos fazer bolsas com pele de crocodilo, enquanto eles fazem com a nossa pele. Bolsas com a pele da classe média, que ridículo. E sabe o que é pior? Esses dias recebi um e-mail falando de um porteiro que trabalhava há muitos anos em certo prédio e demitiu-se, porque percebeu que os benefícios que esse governo espúrio dá aos pobres e desempregados era o bastante pra sobreviver. Se não me engano o e-mail dizia que um parente dele falou que ganhava mais do que ele, sem trabalhar. Estamos tornando os brasileiros vagabundos. Esse parente deve ter feito vários filhos, apenas pensando em ganhar essa bolsa maldita. Mas o que é isso? Se o cara vivia melhor com… Quanto? uns 140 reais? Não lembro direito os benefícios da Bolsa Família, mas se o cara vive melhor com essa “esmola” do que trabalhando como porteiro, algo está errado, não? E não, não é algo errado na bolsa. O salário dos porteiros está errado. O salário da empregada que resolveu parar de trabalhar para viver do bolsa família está muito errado. Até porque o salário mínimo é maior do que os benefícios do Bolsa Família, embora ainda pouco. Então o que? Estavam pagando salário ilegal para uma empregada que preferiu viver da Bolsa?

Outro motivo para não votar na Dilma. Essa mulher do satã defende a descriminalização do aborto. Essa comunista, que se alimenta de criancinhas, que mata criancinhas… Como uma mulher dessas pode representar o povo brasileiro? Poupem-me. Ela fica com aquele trololó de aborto ser questão de saúde pública e não moral. Então quer dizer que podemos matar o feto de um mês e meio de idade para salvar a vida de uma pessoa que já viveu demais? Ridículo, isso deixou-me muito nervoso nessas eleições. Só faltava ela dizer que não acha certo que a classe média alta vá abortar em hospitais super seguros e caros no exterior enquanto as mulheres da periferia morrem abortando clandestinamente e porcamente. E se eu tivesse uma amiga que já abortou, eu com certeza iria querer que ela fosse presa. Sério pessoal, defender a discriminalização do aborto não significa ser a favor da prática.

Nessas eleições, regredimos um pouco no caminho até o laicismo. Alguns dos setores mais conservadores de nossa sociedade se uniram a José Serra nessa cruzada contra Dilma Roussef, essa terrorista que mata criancinhas. O debate político muitas vezes foi dominado por discussões morais e os religiosos tentam tornar nosso país uma nação teocrática, e não uma nação laica como ela é e deve ser. Uma coisa é pedirem para que eu respeite os religiosos. Outra coisa totalmente diferente é pedir que eu respeite suas crenças. Respeito vocês, meus caros, desde que vocês preguem dentro dos limites de suas igrejas e não tentem impôr seus valores retrógrados para a sociedade. Respeito que preguem a seus fiéis que o aborto é errado, é imoral e implore para que não o façam. Respeito isso. Não respeito que lutem para que as abortistas fiquem atrás das grades no lugar de serem socorridas.

Continua.

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Vadiando, mas Produzindo.

Na minha fraca memória reside a lembrança de que desde muito jovem eu queria ser escritor, jornalista. De qualquer forma, adoro escrever. É uma paixão. É uma prática que dificilmente será abandonada. Cursando jornalismo ou não. Mesmo que eu resolvesse que vou ser professor de educação física, engenheiro ou agricultor (tudo isso, eu diria, é impossível), eu nunca deixaria de escrever. Há algum tempo, acho que em 2008, criei um blog, Ócio Produtivo, e dividia o espaço com dois amigos e convidados. Pagava hospedagem e domínio, cheguei a fazer sorteios e concursos, mas postava muito pouco. Tanto eu como os outros que comigo dividiam o blog quase não postavam. Parei de gastar dinheiro com aquilo e nunca mais tive um blog, embora durante todos os dias que se passaram eu o quisesse.

De qualquer forma, eu nunca fui muito seguro e nunca tive muita auto-confiança. Um dos maiores defeitos da minha personalidade é o medo. A insegurança, a baixa autoestima. Tudo isso fez com que eu procrastinasse tanto até recriar o Ócio Produtivo. E dessa vez não vou gastar dinheiro de meus padrinhos ou de meus pais. Se der certo, penso em pagar… Mas isso é coisa pro futuro.

Na época do Ócio Produtivo 1.0, eu era pouco politizado e meus interesses eram cinema e literatura. Três anos parecem pouco, mas não são quando se tem dezesseis. Três anos é tempo demais quando falamos de aprendizado e amadurecimento. Muita coisa aprendi e muito mais ainda vou aprender. E o blog serve para isso também.

Um dos motivos que me fizeram protelar a recriação do blog é eu achar sempre que sou um bosta, e que não tenho nada de interessante a acrescentar às discussões. Acreditei sempre que qualquer coisa que eu fosse escrever seria um lixo, ou que mesmo boa seria apenas uma coletânea de pensamentos críticos de outrem. É, talvez meu blog seja uma eterna cópia de ideias de blogueiros que admiro e, as vezes, idolato. E talvez não. E talvez seja no começo, mas qual o problema? Resolvi que não vou me importar com essa besteira. Quem sabe o exercício da escrita, mesmo que se aproveitando de opiniões dos outros, faça-me pensar mais e mais. Talvez não acrescente nada as discussões enquanto ainda sou novo, mas ajudará a formar concretamente as minhas, sendo elas criadas com base nas opiniões dos outros.

Para quem for me acompanhar, já logo aviso, sou um mestre na arte da embromação. Se quiser pular uns três parágrafos de meus textos… Não vai perder muita coisa, realmente.

E sobre o que vai ser o blog? Sobre nada. Digo, sobre tudo. Sobre o que der na telha. Sobre o que eu quiser. Sobre o que meu humor e o tempo admitirem. Sobre o que me convir. Não preciso ter um tema específico para aqui tratar, preciso? Falo sobre o que quiser, e como quiser. Esse blog não é sobre política. Não é sobre literatura. Não é sobre cinema. É sobre o que “o não fazer nada” faz com a cabeça das pessoas que tanta coisa fazem enquanto descansam. É sobre o que eu penso, é sobre o que eu ouço, é sobre o que me deixa irritado, é sobre o que me deixa feliz, é sobre o que faz eu parar para recuperar o fôlego e dizer “NOSSA, QUE FODA. FANTÁSTICO!”, ao mesmo tempo que é sobre o que me faz colocar a mão no cara e ter vergonha da humanidade. Não importa sobre o que é… Já divago demais, e em 586 palavras nada disse. Acostumem-se, isso pode acontecer uma vez ou outra. Ou sempre, vai saber.

Vivo em eterno ócio. Vadiando, mas, a medida do possível, produzindo.

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